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Por que a Groenlândia parece tão grande no mapa?

A América do Sul tem cerca de oito vezes a área da Groenlândia. Entenda por que alguns mapas fazem a ilha parecer tão grande e o que mais pode confundir nossa noção de geografia.

Globo terrestre ao lado de um mapa-múndi plano e de uma laranja parcialmente descascada, com a casca estendida à frente.

Em um mapa-múndi de Mercator, a Groenlândia pode parecer uma rival da América do Sul em tamanho, contudo, basta olhar um globo terrestre para a comparação mudar: a América do Sul tem cerca de oito vezes a área da Groenlândia.

A ilha não cresceu, nem o continente encolheu. O desenho usado para representar a Terra no plano amplia algumas regiões muito mais que outras. Isso ajuda a explicar por que o tamanho que guardamos na memória nem sempre corresponde ao tamanho real.

O problema da casca de laranja

Se você já tentou achatar uma casca de laranja sobre a mesa, conhece a dificuldade: ela rasga, dobra ou se deforma. A comparação ajuda a entender o desafio de representar a superfície curva da Terra numa folha de papel ou numa tela.

Essa transformação recebe o nome de projeção cartográfica. Como explica o Serviço Geológico dos Estados Unidos, o USGS, nenhuma projeção plana preserva, ao mesmo tempo e em toda a superfície terrestre, áreas, formas, distâncias e direções. Cada uma faz escolhas sobre o que conservar e o que distorcer.

Por isso, olhar um mapa exige uma pergunta simples: ele foi feito para mostrar o quê?

O que Mercator preserva e o que ele aumenta

Apresentada por Gerardus Mercator em 1569, a projeção tinha uma função ligada à navegação. Sua vantagem é permitir que rotas de rumo constante apareçam como linhas retas. Isso facilita traçar um percurso que mantém o mesmo ângulo em relação aos meridianos, as linhas que ligam os polos.

Esse percurso, porém, não é necessariamente o caminho mais curto entre dois lugares. A facilidade de traçar um rumo não significa que todas as distâncias estejam corretas.

Mercator também preserva os ângulos e as formas em pequenas regiões. O custo aparece nas áreas: quanto mais perto dos polos, maior fica a ampliação. Ela ocorre nas duas direções do desenho, tanto na largura quanto na altura, e afeta os hemisférios Norte e Sul.

A Groenlândia, longe do Equador, ganha um tamanho desproporcional. A América do Sul fica muito menos ampliada. É essa diferença que faz a comparação visual enganar. Os próprios polos não podem ser representados nessa projeção.

Infográfico comparando a Groenlândia e a América do Sul nas projeções Mercator e Equal Earth, mostrando como a representação visual de suas áreas muda entre os mapas.
A América do Sul tem cerca de oito vezes a área da Groenlândia. A projeção de Mercator amplia visualmente as regiões próximas aos polos, enquanto projeções equivalentes preservam as proporções de área. Ilustração produzida com auxílio de inteligência artificial.

O tamanho não é a única surpresa

A África também perde nessa comparação visual com as regiões próximas dos polos. Isso não quer dizer que ela tenha sido reduzida no desenho: outras partes do mundo é que foram muito mais ampliadas.

E há confusões de posição que vão além das projeções. Uma reportagem da National Geographic sobre mapas mentais reúne exemplos: cerca de dois terços da África ficam ao norte do Equador, e Paris está mais ao norte que Montreal, no Canadá.

Esses exemplos convidam a conferir as linhas de latitude, que indicam a posição ao norte ou ao sul do Equador. Mercator não coloca Paris ao sul de Montreal: uma coisa é a distorção do mapa; outra é a posição que atribuímos aos lugares na memória. E latitude, sozinha, não basta para comparar o clima de duas cidades.

Então os mapas mentem?

Uma distorção não torna um mapa inútil. Para comparar o tamanho de países e continentes, por exemplo, existem projeções equivalentes: áreas iguais na Terra ocupam áreas iguais no desenho. Elas alteram as formas, em graus que variam conforme a projeção e o lugar representado. Isso não torna os continentes necessariamente irreconhecíveis.

Também há projeções que equilibram diferentes distorções para oferecer uma visão geral do mundo. A escolha depende do que o mapa precisa comunicar.

Na próxima vez que a Groenlândia parecer enorme, procure a projeção indicada no mapa e compare com um globo ou com uma representação que preserve áreas. O desenho pode funcionar bem para uma finalidade e atrapalhar outra. Para comparar tamanhos, a projeção faz parte da informação.